quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Rio tem três vítimas de bala perdida em menos de 24 horas Garoto levou tiro no olho ao sair da piscina para beber água, 24 horas após tiro matar Larissa, de 4 anos. Homem de 33 também foi alvejado

Rio - Menos de 24 horas depois que uma bala perdida atingiu a cabeça e matou uma menina de 4 anos, e outra feriu de raspão um rapaz de 33 anos, em Bangu, na Zona Oeste, mais uma criança foi vítima de projétil sem direção. Asafe Willian Costa Ibraim, 9 anos, estava com parentes na piscina do Sesi, em Honório Gurgel, quando foi alvejado no olho direito. Ele está internado em estado grave. Larissa de Carvalho será enterrada nesta terça-feira no Cemitério de Paciência. 
Asafe ia a um bebedouro do dentro do clube quando caiu baleado. Ele foi levado para o Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De acordo com Diná Costa de Paula Ibraim, 38, mãe de Asafe, assim que o filho saiu da piscina para beber água no playground, rajadas de tiros foram ouvidas. O Sesi fica entre os complexos do Chapadão e da Pedreira, principais redutos das facções criminosas Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV), que estão em guerra . 
Asafe e Larissa foram vítimas da violência em momentos de lazer com as famílias. O garoto está em estado grave e a menina será enterrada nesta terça
Foto:  Arte: O Dia
“Chegamos a ouvir barulhos de tiros. Mas quando vi o meu filho caído, achei que ele tivesse levado um tombo e batido com a cabeça, que sangrava no chão. Não acreditei que ele tivesse sido baleado”, lamentou Diná. 
A mãe contou que na hora do tiroteio, houve pânico e correria entre os frequentadores do Sesi, que estava lotado. “Todos correram desesperados para a portaria e vi meu filho caído. Foi desesperador. Agora os médicos disseram que tem que esperar três dias por uma reação dele, que está sedado. A bala ficou alojada no crânio. Ele não pode morrer, pois é uma criança saudável, bonita e inteligente”, desabafou Diná, garantindo que não houve socorro imediato por parte de funcionários do clube e que o Samu não atendeu aos pedidos de socorro. 
Em nota, a Polícia Civil informou que a 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) vai ouvir testemunhas e tentar pistas dos atiradores através de câmeras de segurança do local. A Polícia Militar afirmou que não havia operação naquela hora. Também através de nota, o Sesi negou que tenha havido falta de assistência ao menino, levado inicialmente, num carro da família, para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
“Dois profissionais do Sesi (salva-vidas) prestaram os primeiros socorros, enquanto foi solicitado o atendimento de uma ambulância. O Sesi continua à disposição para qualquer necessidade”, diz o texto.
Em Bangu, na Zona Oeste, Carlos Eduardo de Paula foi baleado quando lanchava numa praça da Vila Aliança, na madrugada de sábado. A vítima foi atendida no Hospital Estadual Albert Schweitzer e passa bem.
Mileni, mãe de Larissa passou mal
Foto:  Alexandre Vieira / Agência O Dia
Mãe quer saber quem receberá órgãos 
“Quero conhecer as crianças que vão receber os olhos e o coração da minha filha. Doar é poder manter a Larissa viva no corpo de outras pessoas”. Essa é a esperança de Mileni de Carvalho, mãe da menina Larissa, 4, que teve morte cerebral decretada na manhã de domingo, após ser atingida por uma bala perdida, em Bangu. Entretanto, o sigilo do nome dos pacientes, previsto na legislação, pode impedir o encontro com as crianças que vão receber as córneas e o coração da criança. 
“Minha irmã não para de falar nisso. E toda hora, fala o nome da filha e olha a foto dela. As duas mantinham um amor lindo, e a Mileni quer ver os órgãos da filha ajudando outra criança”, lembrou a tia de Larissa, Michele de Carvalho Pereira, 35. A menina será enterrada nesta terça, às 10h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência.
Cruz para criticar as mortes de crianças 
Nesta terça, o Movimento Rio de Paz promoveu um ato público nas areias de Copacabana, Zona Sul. Larissa seria a 13ª menor de idade vítima de bala perdida no Rio, desde 2007. Uma cruz preta de três metros de altura foi fincada na orla em alusão à morte da menina. 
Padrasto da criança, o metalúrgico Wellington do Nascimento Borges Lopes, 29 anos, informou que ele e mais nove pessoas lanchavam num restaurante na Estrada Rio da Prata, e, ao deixarem o local, ouviu um barulho. “Pensei que era alguma moto, mas quando olhei, vi a Larissa, que estava de mãos dadas com a Mileni, com as pernas dobradas e a cabeça sangrando”. 
Perto do restaurante há três comunidades: Santo André, Bicho Solto e Quarenta e Oito. As investigações estão a cargo da Divisão de Homicídios da Capital (DH).

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