
Reportagem do Jornal o Dia, expõe a realidade em que vive um poderoso traficante de drogas do Rio de Janeiro.
Conheça o Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, barão das drogas na Favela Parque União.Veja a reportagem.
“Rio - Enquanto forças de segurança do
Rio não ocupam o Complexo da Maré, traficantes de drogas da região vão
fortalecendo o mundo paralelo em que vivem. E nesse reino — logo ali na
Avenida Brasil —, vive o ‘intocável’ Jorge Luiz Moura Barbosa, o
Alvarenga, barão das drogas na Favela Parque União. Procurado pela
polícia desde 2006 e com seis mandados de prisão ativos, ele é um dos
únicos líderes da facção criminosa Comando Vermelho que nunca foi preso.
Protegido por um séquito de 150 bandidos
armados em sua quadrilha, Alvarenga é escorregadio e quase não circula
pela favela, para não ser visto. Tanto que, nos bancos de dados da
Segurança Pública, a foto existente do criminoso é a de sua primeira
carteira de identidade. Suas aparições públicas são raras e por isso ele
é tido como um ‘fantasma’ na favela. Nas escassas vezes em que circula,
o barão está acompanhando o movimento das bocas de fumo, armado e
cercado por seguranças.
O Parque União fica no Complexo da
Maré e vários de seus acessos são feitos pela Avenida Brasil: na via
expressa funciona uma cracolândia.
(Foto: Carlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia)
São pouquíssimas as pessoas que sabem
onde o criminoso mora. Para manter o sigilo de seu endereço, ele pede
aos seguranças que o deixem a metros de distância da casa e manda
esvaziar a rua: enquanto ele entra, ninguém pode ficar nas janelas para
ver qual é o imóvel. A obediência dos moradores não foi algo difícil
para Alvarenga conquistar porque, além do poder bélico, ele faz a linha
assistencialista e ajuda muitas pessoas.
No domínio de Alvarenga, desfile de
armas e drogas é mais do que permitido, é quase obrigação. As bocas
funcionam a todo vapor dia e noite, sempre protegidas por homens
fortemente armados. Os fuzis e metralhadoras são ostentados como troféus
durante e depois dos bailes funk da favela, um dos mais concorridos da
cidade. Regados a drogas e bebidas, os eventos promovidos por Alvarenga
recebem frequentadores de vários lugares, de moradores da favela a
‘patricinhas’ da Zona Sul.
Com uma arma na cintura, Alvarenga conversa tranquilamente na rua com comparsa armado de fuzil
Foto: Reprodução
O Parque União é hoje um dos maiores
distribuidores de drogas da facção. De lá, saem carregamentos que
abastecem favelas como a Cidade Alta, em Cordovil; Vila Kennedy, em
Bangu, e Antares, em Santa Cruz, bem como comunidades de Duque de Caxias
e São João de Meriti, na Baixada. O faturamento mensal da quadrilha é
de mais de R$ 5 milhões, sendo que só uma das cargas transportadas para
as demais comunidades custa em torno de R$ 2 milhões.
Alvarenga é um dos poucos traficantes
que tem autonomia dentro da facção e não recebe ordens. Boa parte de seu
status foi adquirida pelo fato de ter sido cunhado e homem de confiança
do traficante Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói, morto
pela polícia em 2011. Na ocasião, Alvarenga era um dos alvos da operação
policial, mas conseguiu escapar.
Bandidos comemoram com fuzis durante um baile na favela
Foto: Reprodução
Crack entregue no asfalto
Uma das pedras no sapato das
autoridades, a cracolândia do Parque União também faz parte do domínio
de Alvarenga. O efeito devastador do crack — que transformou centenas de
pessoas em ‘zumbis’ que povoam a Avenida Brasil, em torno da favela que
alimenta seu vício — não impede o traficante de manter seu negócio.
Somente a venda das pedras movimenta para a quadrilha cerca de R$ 700
mil por semana.
Para manter a alta lucratividade,
Alvarenga ordenou apenas que os ‘zumbis’ não entrem na favela, para não
espantar a freguesia dos outros entorpecentes. Mas o dinheiro dos
viciados, ao contrário da presença deles, é sempre bem-vindo. O
traficante mandou criar um sistema ‘delivery’ para continuar vendendo
aos viciados na Avenida Brasil: uma pessoa da quadrilha vai lá fora,
pega o dinheiro arrecadado e entrega as pedras para o consumo. O crack
vendido no Parque União vem de fora do estado, basicamente de São Paulo,
destino final de uma conexão que começa na Bolívia.
Irmão frequenta boates e gosta de ostentação
Família que trafica unida, permanece
unida. Este é o lema na casa do barão do crack, que tem nos dois irmãos
seus seguidores mais fiéis. Na hierarquia da quadrilha, Diogo de Souza
Barbosa é o segundo homem, que assume o comando na ausência do
primogênito Alvarenga.
Considerado sanguinário e problemático, ele é temido pelos moradores da favela porque impõe seu poder na ponta do fuzil. Prova disso é sua extensa ficha criminal, com anotações por roubo, tráfico e homicídio.
Considerado sanguinário e problemático, ele é temido pelos moradores da favela porque impõe seu poder na ponta do fuzil. Prova disso é sua extensa ficha criminal, com anotações por roubo, tráfico e homicídio.
Diogo, irmão de Alvarenga, teria pedido para fazer foto com Adriano
Foto: Reprodução
Na comunidade, nada acontece sem o aval
do irmão do meio de Alvarenga que, ao contrário do mais velho, gosta de
ostentação e circula em hotéis e boates badaladas, inclusive
frequentadas por famosos, como o jogador Adriano, com quem Diogo não tem
vínculo, mas fez questão de pedir para tirar foto ao seu lado. Na
árvore genealógica do tráfico, há ainda José de Souza Resende, o
Zezinho, 18 anos, caçula que também atua no bando.
Com Jornal o Dia
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